No imaginário popular nordestino, a figura do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva se aproxima a de um "santo político" que se
transformou em um fenômeno de rara popularidade, especialmente entre os
pobres da região. Em Garanhuns (a 235 km do Recife), sua terra natal, a
paixão do povo por Lula chega a causar uma disputa entre os candidatos
pelo apoio na disputa eleitoral.
Dois dos quatro candidatos a
prefeito trocam farpas quando o assunto é apoio do ex-presidente.
Enquanto um apela para a ligação histórica para garantir Lula ao seu
lado, outro afirma que a coligação de seu partido com o PT é o trunfo
para ter o apoio do ex-presidente. A disputa pelo uso da imagem foi
parar na Justiça.
O
UOL visitou a cidade dentro do projeto
UOL pelo Brasil --que percorrerá municípios em todos os Estados do Brasil durante a campanha eleitoral deste ano.
Apesar da briga pública pelo apoio, nas duas eleições municipais que
ocorreram quando Lula era presidente (2004 e 2008), ele se mostrou pouco
eficaz em transferir votos. Prova disso foi que o candidato do PT em
2004, Alexandre Bezerra, ficou apenas na terceira posição, com 11,2% dos
votos. Venceu Luiz Carlos Oliveira (PDT), que teve o PSDB, do então
prefeito Silvino Duarte, como principal aliado.
Em 2008, o
resultado foi o mesmo: o candidato apoiado pelo PT, Adolfo Lopes (PP),
teve exatamente o mesmo percentual do colega petista quatro anos antes:
11,2%. Assim como em 2004, Luiz Carlos foi reeleito.
Se os números mostram que a população não vota no candidato do mesmo
partido de Lula, o garanhuense não esconde o orgulho do filho ilustre.
“O garanhuense é conservador, talvez isso explique um pouco essa
não-transferência de votos. Mas Lula é queridíssimo na cidade. Para se
ter ideia, na última visita dele, em 2010, o então presidente foi a um
evento aberto e foi ovacionado, e o prefeito, vaiado. Precisou ele
intervir e pedir para que parassem de vaiar”, lembra o radialista Marcos
Antônio Pais.
A força de Lula em Garanhuns pôde ser vista na
votação dele, em 2006, quando 90,1% dos 55 mil votos válidos foram
destinados à reeleição do conterrâneo. Em 2010, graças ao seu apoio, a
presidente Dilma Rousseff teve 85,4% dos votos válidos.
Fonte:
UOL pelo Brasil